Para muitos jovens ganeses com deficiência, ser admitido numa instituição de ensino superior é a metade mais fácil. Depois vêm as propinas, o alojamento, a tecnologia de apoio, o transporte, os materiais de estudo e uma longa lista de custos menores. Durante anos, esses custos levaram estudantes talentosos a adiar, a desistir ou a nunca se candidatar.
É por isso que a Iniciativa de Ensino Superior Gratuito para Pessoas com Deficiência do Gana é importante. No seu lançamento, foi apresentada como um compromisso com a inclusão e a igualdade de oportunidades, e como mais do que um programa de bolsas. Visa cobrir as propinas dos estudantes com deficiência elegíveis nas instituições públicas de ensino superior, o que remove um dos maiores obstáculos entre esses estudantes e uma qualificação.
Acolhemo-la com agrado. A educação continua a ser um dos caminhos mais seguros para um melhor rendimento e uma posição mais forte na sociedade. Os diplomados com deficiência estão em melhor posição para encontrar trabalho, criar negócios e participar no desenvolvimento do país. O Gana fala muito de transformação digital, empreendedorismo e futuro do trabalho. Não lá chegará enquanto tanto talento ficar fora da sala de aula.
As propinas são apenas parte do custo de estudar
Pagar as propinas não torna uma universidade inclusiva. Muitos estudantes com deficiência continuam a encontrar salas de aula onde não conseguem entrar, pouca tecnologia de apoio, escasso apoio à aprendizagem, plataformas digitais que não funcionam para eles e problemas de transporte. Um estudante pode ter todas as propinas pagas e continuar excluído de grande parte da vida no campus.
Resolver isto é trabalho para instituições, decisores políticos, empresas de tecnologia e sociedade civil em conjunto. As universidades deviam investir em plataformas de aprendizagem online acessíveis. Os materiais das aulas deviam estar disponíveis em formatos adequados a diferentes deficiências. Os campus deviam ser construídos para todos os seus estudantes.
A tecnologia pode colmatar algumas destas lacunas. Leitores de ecrã, conversão de voz em texto e as novas ferramentas baseadas em IA tornam uma sala de aula inclusiva muito mais fácil de gerir do que era. O difícil é garantir que essas ferramentas estão disponíveis, são acessíveis em termos de preço e fazem parte da forma como se ensina.
Como vamos saber se funcionou
Na TechAble acreditamos que uma deficiência nunca deve decidir a qualidade da educação de alguém nem o que essa pessoa pode fazer com ela depois. O ensino superior gratuito é um passo real nessa direção.
Terminar o trabalho exigirá salas de aula acessíveis, tecnologia acessível e um olhar sobre as pessoas com deficiência como profissionais, empreendedores e líderes.
Vamos avaliar esta política pelo número de estudantes que se formam, encontram bom trabalho, constroem carreiras e criam negócios sem barreiras desnecessárias no caminho. O número de propinas pagas dir-nos-á muito menos.