Há uns anos, estar online era um luxo para muita gente no Gana. Agora é difícil passar sem isso. Candidatamo-nos a empregos, registamos empresas, usamos serviços públicos, assistimos a aulas, pagamos contas e mantemos o contacto com a família online.
Para muitas pessoas com deficiência, grande parte disto é mais difícil do que devia, e parte é impossível.
Imagine candidatar-se a um emprego num site que um leitor de ecrã não consegue percorrer. Ou inscrever-se num serviço cujos botões não têm etiquetas. Ou participar numa videochamada sem legendas. Ou receber material de um curso num formato que não consegue abrir. Nada disto é invulgar. É o que muitas pessoas com deficiência encontram online todos os dias.
Um site pode excluir tanto como uma escadaria
Quando se fala de acessibilidade, costuma pensar-se nos espaços físicos: rampas, elevadores, casas de banho acessíveis, transportes. Isso importa. Mas importam também os sites, as aplicações móveis, as plataformas de aprendizagem online e os serviços digitais. Um edifício sem rampa deixa alguém de fora. Um site que não funciona com tecnologia de apoio faz o mesmo.
À medida que mais da vida no Gana passa para o digital, a acessibilidade não pode ficar para o fim de um projeto. Organismos públicos, escolas e universidades, empresas, startups e programadores partilham a responsabilidade de construir produtos digitais que todos possam usar.
A maioria das soluções é simples
Nada disto está fora de alcance. As principais correções são bem conhecidas: descrever as imagens em texto, garantir que o site funciona com um leitor de ecrã e com o teclado, legendar os vídeos e usar cores com contraste suficiente.
Parecem pequenas mudanças. Para quem precisa delas, decidem se o site pode ser usado ou não.
Ajudam também outras pessoas. As legendas são úteis para espectadores surdos e para quem vê um vídeo num sítio barulhento. Uma navegação clara ajuda toda a gente a encontrar o que procura. O design acessível tende a ser melhor design.
Uma oportunidade para o setor tecnológico do Gana
Programadores, designers e fundadores daqui podem construir produtos inclusivos desde a primeira versão, o que é muito mais fácil do que remover barreiras mais tarde. Com mais startups a surgir e mais serviços a passar para o online, a acessibilidade devia ser uma característica de série.
Na TechAble acreditamos que a tecnologia pode nivelar o terreno, mas só quando a acessibilidade faz parte dos alicerces. O futuro do Gana será mais digital do que o seu presente. Vamos medir o seu progresso pelo número de pessoas que conseguem usar essa tecnologia e beneficiar dela.